Como se constrói o tempo


Alexandra Ungern, Bina Monteiro, Claudio Souza, Marcelo Colares, Pedro
Serliatec e Tiago Marchitiello | 2018 Curadoria Paulo Gallina

Como se constrói o tempo


Alexandra Ungern, Bina Monteiro, Claudio Souza, Marcelo Colares, Pedro
Serliatec e Tiago Marchitiello | 2018 Curadoria Paulo Gallina

Pedro Serliatec

“Agora imagine quanto dura um bilhão de anos! Naquele tempo, não havia animais gr ndes, só havia caracóis e conchas. E, se voltarmos mais ainda no tempo, não vamos encontrar nem plantas. A terra inteira era deserta e vazia. Não havia nada:nem arvore, nem mato, nem capim, nem flor, nenhuma folhinha verde. Um mar sem peixes, sem conchas e até sem limo. E o que dizem as ondas? Era uma vez.
” Ernest H. Gombrich. Breve história do mundo. São Paulo: Martins Fontes, 2012.

Claudio Souza

 Alexandra Ungern

Mais do que um dado, o tempo é uma percepção. Uma dedução lógica dentro de ciclos notáveis do universo natural. A memória humana, sem dúvida funda a marcação do tempo, para o bem e para o mal. No conjunto das narrativas individuais destes artistas, Como se constrói o tempo procura promover uma compreensão temporal como a de a superfície de um lago agitada pela miríade de gotas trazidas pela chuva. Nesta alegoria, cada ato artístico seria um pingo de chuva e as ondas, que reverberam, se esbarram e se reconfiguram, servem como alegoria à história. Ao que se pode perceber de seu tempo e às vozes que se calam por não saberem falar. Cada trabalho, a sua maneira, presente no espaço expositivo rememora e reinventa o passado perdido, encontrado na memória.

Tiago Marchitiello

Pedro Serliatec

[Dis]tropicos


Adrian Luke, César Meneghetti, Giancarlo Latorraca e Jê Américo | 2017 Curadoria Clarice Mester

[Dis]tropicos


Adrian Luke, César Meneghetti, Giancarlo Latorraca e Jê Américo | 2017 Curadoria Clarice Mester

 Jê Américo

Jê Américo

Um convite à reflexão sobre a plena ocupação da cidade, a exposição [DIS]TRÓPICOS se propõe a transpor as barreiras físicas e simbólicas que desenham São Paulo.

Em mídias distintas,  as obras investigam os desafios e as potencialidades do espaço urbano que nos acolhe.
[DIS]TRÓPICOS, neologismo criado para abarcar a realidade e as perspectivas de um cenário ora empobrecido e injusto, uma latitude de urgência. 

 César Meneghetti

César Meneghetti

Adrian Luke

 César Meneghetti

César Meneghetti

Adrian Luke

 Giancarlo Latorraca

Giancarlo Latorraca

 Jê Américo

Jê Américo

 Jê Américo

Jê Américo

SOBRE A MOSTRA

Na exposição [DIS]TRÓPICOS os artistas Adrian Luke, César Meneghetti, Giancarlo Latorraca e Jê Américo dialogam com o público sobre as complexas configurações da vida na metrópole e problematizam as potencialidades e desafios do espaço urbano: fotografia, vídeo, desenho e escultura constroem então, juntas e separadamente, narrativas consonantes a esta pulsante capital.
Robert Park, nos coloca que a cidade é “a tentativa mais bem-sucedida do homem de reconstruir o mundo em que vive o mais próximo de seu desejo. Mas, se a cidade é o mundo que o homem criou, doravante ela é o mundo onde ele está condenado a viver.” E uma proporção cada vez maior de nossas vidas é gasta em espaços anônimos na cidade, em "non-places" - como designa Marc Augé - o que provoca uma profunda alteração de consciência e alienação, algo que é percebido de forma parcial e incoerente. Por fim, no é trabalho de David Harvey, que encontramos a premissa que mais inspira os artistas: “O direito à cidade como principal dos direitos humanos”.
Nossos museus e galerias são repletos de construções idealizadas, à mercê do olhar estrangeiro e da obrigação do ser exótico. Educados neste imaginário, e longe da premissa de “direito à cidade”, nos perdemos na deterioração do espaço urbano e na desumanização da população, que convive em mundos paralelos na sexta maior cidade do mundo.

 

 Jê Américo

Jê Américo

SOBRE OS ARTISTAS

ADRIAN LUKE (Sidney, 1986) nos propõe uma visão outra da cidade de São Paulo. Através do seu olhar destacado ele transforma quase irreconhecíveis certos lugares do seu quotidiano, às vezes muito populares na cidade. Uma viagem de ônibus marginal do rio Pinheiros, a Av. Paulista, a Av. Angélica ou Consolação se transformam através da sua fotografia uma elegia ao tempo que se foi. Ele joga com longos tempos de exposição criando um blur onde paralisa um tempo criando uma ruptura do real em quadros abstratos que nos transmitem grande carga emotiva.

CÉSAR MENEGHETTI, artista visual e cineasta paulistano estudou e viveu em Londres, Roma e Berlim. Depois de 27 anos de trabalho no exterior volta a São Paulo. O seu trabalho conceitual, pictórico, fotográfico e audiovisual é, desde o final dos anos 90, caracterizado por um profundo interesse em questões sociais e um constante indagar sobre as formas de linguagem. Suas obras e filmes fazem parte do acervo de várias coleções públicas e privadas, sendo exibidos em mais de 40 países obtendo reconhecimento da critica e mídia internacional: Biennale di Venezia (2013, 2011, 2005), X Bienal de Sharjah, XVI Bienal de Cerveira,VI  Biennale Adriatica, Museo MAXXI (2015, 2016, 2017), MIS – SP (2010), MLAC, GNMAN, MACRO – Roma (1999, 2009),  Hit Gallery (Bratislava), UTMT Gallery e Rosalux (Berlim), Smiths e Whitechapel Gallery, IIC (Londres), MIS, Paço das Artes, MAB, MUBA, FUNARTE (São Paulo) Festival di Locarno 51 e 55 (Cinéastes du présent), Festival di Venezia 66 e 69 (Giornata degli Autori), Festival del Nuevo Cine de Habana, X Festival “E’ tudo verdade”, Transmediale 01, File 2002, Loop Barcelona 2011, Currents Santa Fé Museum, Videoformes, Videobrasil (2001, 2003, 2007), etc. Prêmio FUNARTE de arte contemporânea 2011, Prêmio Brasil arte contemporânea 2010 (Bienal de São Paulo) Prêmio na IV Bienal Interamericana de Videoarte (Washington), Nastro d’argento 1996, 2004, 2009 (SNCCI) e Prêmio Petrobrás Cultural 2002 e 2006. Meneghetti é um dos 22 artistas contemporâneos analisados no volume “Arte Iperconteporanea” e “MLAC Index” (2012) de Simonetta Lux. É também um dos 99 artistas presentes na antologia “Made in Brasil – 30 anos de vídeo brasileiro”, organizado por Arlindo Machado. Sobre seus filmes e vídeos lhe foram dedicados teses acadêmicas e quatro retrospectivas: CINEVÍDEO: CÉSAR MENEGHETTI E NELSON PEREIRA DOS SANTOS, Instituto Itaú Cultural – SP e MG (2003), LA VIDEOARTE DI CÉSAR MENEGHETTI no Festival Corto per Scelta (2007) e FLUX+DISPLACEMENT+TIME retrospectiva dos trabalhos audiovisuais de César Meneghetti, 48a Mostra Internacional do Novo Cinema de Pesaro, Itália (2012), MAXXI ARTAPES #03 Video di artista in Italia (2017) Invisibili (Museu casa Romei), F4/Fare comunità (Fondazione Fabbri), Inside Brazil (Bologna) em 2017.
GIANCARLO LATORRACA  é arquiteto formado pela FAU-USP e professor licenciado da Escola da Cidade, da qual é associado. Colaborou com Lina Bo Bardi, Paulo Mendes da Rocha e com o escritório Brasil Arquitetura. Trabalhou no Instituto Lina Bo e P.M. Bardi de 1993 a 2001, desenvolvendo projetos editoriais e de exposições nacionais e internacionais. Realizou inúmeros projetos expográficos em sociedade com o escritório Apiacás Arquitetos (2001-2010) e atualmente é Diretor Técnico do Museu da Casa Brasileira em São Paulo, onde realizou entre outras, a mostra Maneiras de expor: arquitetura expositiva de Lina Bo Bardi, prêmio APCA-2014, Categoria “Fronteiras da arquitetura”, modalidade “Arquitetura e Urbanismo”. Sua prática com desenho e pintura perpassa as atividades descritas acima, tendo apresentado seus trabalhos em coletivas na própria faculdade e mostras off Bienal. Destaca-se sua participação na exposição de inauguração do MUBE em que realizou pintura de out door com a temática sobre o rio Tietê, e apresentou série de desenhos feitos na própria marginal. Realiza desde 2005 os desenhos em giz que retratam a paisagem paulistana nos restaurantes Ritz da cidade, além de diversos painéis com essa temática em casas particulares e espaços públicos como Escola da rede FDE, feito em parceria com o escritório Apiacás Arquitetos. Dedica-se a desenhar a paisagem de são Paulo em suas diversas faces. Realizou atividade didática de desenho nos cursos de arquitetura da Universidade Católica de Santos (Unisantos) e Escola da Cidade, em parceria com Paulo Von Poser.
JÊ AMÉRICO é arquiteto formado pela FAU-USP e desenvolve projetos de arquitetura, mobiliário e gerenciamento de obras. Na segunda metade da década de 70, inicia carreira de desenhista técnico em escritórios de arquitetura, época pré-informática, quando os  desenhos eram elaborados com canetas nanquins, esquadros e régua paralela. Esta praxis fez com que em 2008, desenvolvesse uma série de mapas a partir do contorno da América do Sul. Nesses trabalhos, surgem inevitavelmente a influência das técnicas realizadas no inicio da sua carreira de arquiteto, o uso das linhas, que serão uma marca importante nos trabalhos posteriores. Aliado a estudos sobre Lógica, Matemática, Física e Filosofia da Ciência, e a práticas de meditação Zen Budista, ele desenvolve a seguir uma profícua e abundante produção artística. A questão da materialidade da realidade, explorada nas esculturas de Jesus Soto, e a geometria difusa de Mark Rothko, são também referências visuais fundamentais.  A ausência de linhas de contorno tornam as formas inefáveis, ora surgindo como adensamentos do campo em que se encontram imersas, ora pela vibração de cores intensas, que como partículas subatômicas, permitem diferentes camadas de leitura, cada vez mais profundas, de sua composição.

Tiago Marchitiello


Tiago Marchitiello


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Durante a minha residência, tive  a oportunidade de compartilhar ideias, e é impressionante como as ideias se organizam quando as discutimos em voz alta.
 O meu trabalho é uma síntese de um mundo particular e durante estes três meses, tive lampejos destes pensamentos, que acabaram se tornando uma série de pinturas.
 Trabalhando sobre o negrume e com a penumbra, os sentidos se modificam, a mente não foca mais em pequenos detalhes ou no senso estético, a integração do ser a atividade se torna deliberada e focada. Não existe certo e errado, existe entrega.
No momento que acendo as luzes, tenho a sensação de que a obra não é minha, mas vejo o manuseio condicionado de minhas mãos em sua superfície. Logo, este trabalho me pertence, e meus pensamentos estão nele presentes mesmo que sem controle.
 Não somos livres para não ser livres, assim como a vida o trabalho ganha um significado com o observador.
 Como diria Sartre.
“ Se a vida não tem, à partida um sentido determinado, não podemos evitar criar um sentido para a vida.’
Tiago Marchitiello , Junho 2017

Ann Tarantino | Landscape languages


Ann Tarantino | Landscape languages


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"São Paulo oferece um cenário perfeito para explorar as texturas, cores e ritmos de uma nova paisagem e ambiente construído. A partir da minha experiência aqui, meus desenhos e pinturas logo vieram refletir as energias e contradições que vi e senti em minhas viagens diárias por toda a cidade. Desde o menor desenho até uma instalação site-specific em larga escala, meu trabalho explora a experiência de habitar espaços e paisagens. Neste novo corpo de trabalho, inspiro-me em fontes tão variadas como as cores dos edifícios, as formas de frutos desconhecidos, os mapas da cidade, a qualidade da luz num dia de fim de verão, a arte de rua e os padrões radicais da arvores atirando-se através das calçadas de concreto. A combinação das formas de papel de corte brilhantemente coloridas e orgânicas com geometrias duras e linhas gravadas a laser respondem às minhas experiências e memórias de um lugar complexo e contraditório."

Ann vive e trabalha nos Estados Unidos (Pensilvânia) onde atua como professora assistente de artes visuais e diretora da Galeria Woskob da Universidade Penn State. As obras de Ann Tarantino circulam por vários espaços desde museus e galerias a jardins botânicos e zoológicos. Ann foi destaque na revista "New American Paintings" e contemplada com o distinto prêmio americano Fulbright para práticas artísticas no Brasil. Apresentou seus trabalhos no The Contemporary Austin, Children's Museum of Pittsburgh, Jardim Botânico do Brooklyn NY, entre outros.

O discurso do método


Luisa Editore | Thais Ueda | Fábio Leão | Claudio Souza | Renata Huber | Alexandra Ungern-Sternberg | 2017

Curadoria Paulo Gallina

O discurso do método


Luisa Editore | Thais Ueda | Fábio Leão | Claudio Souza | Renata Huber | Alexandra Ungern-Sternberg | 2017

Curadoria Paulo Gallina

A exposição é fruto das discussões do grupo de acompanhamento de projetos do ateliê, com o crítico e curador Paulo Gallina. As obras expostas comentam os métodos de trabalho de cada artista, e processos criativos aprimorados durante o curso.

artistas Atelie Ale
As referências que o Paulo trouxe de outras fontes de reflexão como a literatura, a filosofia e o cinema enriqueceram e enriquecem o pensamento que estamos construindo sobre o nosso próprio trabalho. Acho que isso ficou claro na exposição.
— Fabio Leão

Dar a Ver pelo encontro


Nancy Jones | Fernanda Preto | Camila Roriz | Martha Simões

Curadoria Coletivo Agata | 2016

Dar a Ver pelo encontro


Nancy Jones | Fernanda Preto | Camila Roriz | Martha Simões

Curadoria Coletivo Agata | 2016

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Fernanda Preto

 Camila Roriz

Camila Roriz

Martha Simões

 

Seria possível falar de uma arte essencialmente feminina ou mesmo de um estilo uterino?

 Linda Nochlin, perpassa esses questionamentos em Por que não houve grandes mulheres artistas?, artigo escrito em 1971 e só traduzido para o português neste ano. Para ela, não são as qualidades consideradas femininas que fazem com que mulheres artistas pertençam ao mesmo grupo, já que “em todas as instâncias, mulheres artistas e escritoras parecem estar mais perto de outros artistas e escritores de seu próprio período e perspectiva do que delas mesmas”.

Com essa afirmação ela localiza a produção artística e suas interlocuções dentro de um espaço/tempo, ou seja, como uma decorrência das condições materiais e históricas do contexto em que ela se insere, eliminando a possibilidade de uma prática pautada pelo sexo. Se apenas o fato de ser mulher não é suficiente para determinar unicidade aos trabalhos aqui apresentados, reunir quatro artistas em uma mostra coletiva ganha, portanto, contornos políticos e vontade de estarem juntas.

Foi por isso que a americana Nancy Jones se uniu há outras artistas que também tem como ponto de partida de seus trabalhos a investigação da imagem. Ao expor pela primeira vez no Brasil,  ela mostra objetos que trazem para a discussão o que seria o ideal feminino marcado pelos ícones da cultura de massa.

Fernanda Preto em Estudos de Nu II apresenta corpos reais, mas que pela busca de uma perfeição estética, seja por meio de cirurgias plásticas, ou tratamentos em photoshop, tornam-se desumanizados. Já Camila Roriz traz a costura e a colagem para o vídeo, sobrepondo e duplicando imagens e ruídos que também incindem sobre o próprio corpo. Por fim, Martha Simões colhe frames do seu cotidiano, que são resignificados em novas imagens e composições.

A proposta aqui é se atentar para as tensões provocadas quando esses trabalhos são colocados em diálogo e para os questionamentos que só podem saltar por esse encontro. Que corpos são esses tão vulneráveis? Existe um esgotamento no trato com a imagem? Estar juntas é a maneira de revindicar mais protagonismo feminino nos espaços destinados à arte? Além de tudo aquilo que um olhar atento pode provocar.

Coletivo Ágata

Geração Processual


Fernando Pereira Gomes

Curadoria Isabel Villalba e Alexandra Ungern-Sternberg | 2015

Geração Processual


Fernando Pereira Gomes

Curadoria Isabel Villalba e Alexandra Ungern-Sternberg | 2015

Em“Geração Processual”  Fernando Pereira Gomes apresenta a partir do dia 07 de Julho no Ateliê Alê, uma série de imagens tiradas na cidade digital de Los Santos no videogame "Grand Theft Auto V." Lançado em setembro de 2013, o jogo digital GTA V deu aos jogadores a capacidade de tirar fotos dentro de seu mundo virtual.  Devido à geração processual utilizada no jogo, quando o fotógrafo vira uma esquina, o seu sujeito desaparece. “Eles parecem estar cientes do fato de que a sua existência depende de estar dentro do campo de visão do fotógrafo”, diz o artista. Ao buscar extender o limite do real questionando sua estabilidade, Fernando Gomes propõe uma reflexão sobre a indústria cultural chamando atenção para o fato de que o entretenimento é uma representação autêntica de nossas realidades, e reflete a sua melancolia. Como afirma Baudrillard, a "simulação ameaça a diferença entre o 'verdadeiro’ e o 'falso', o 'real' e o 'imaginário'.

Fernando Pereira Gomes morou em São Paulo até 2004 quando se mudou para a Europa. Hoje estuda fotografia em Nova York na School of Visual Arts, se formando em 2015. O seu projeto de fotos tiradas dentro do vídeo game teve repercussões pelo mundo inteiro. O projeto foi publicado em vários sites como Buzzfeed nos Estados Unidos e O Globo no Brasil. Na França, suas fotos foram publicadas no jornal diário Libération e também na revista de fotografia Fisheye Magazine.

 
Trabalhar com o Ateliê Alê foi uma ótima experiência. O planejamento da exposição teve um acompanhamento de curadoria fundamental. Sendo esta minha primeira exposição solo, ter tido este apoio amigável e inteligente ajudou muito no processo. Algo interessante é que o Ateliê Alê não é uma galeria, mas sim um espaço expositivo e ateliê. Todos os envolvidos no processo também são artistas, criando um espírito de colaboração entre pessoas com idéias semelhantes. Adorei a oportunidade e espero sempre voltar.
— Fernando Pereira Gomes
 

QG: Anônimos


Luiz83 | Erick Martinelli | Luiz Martins | 2016

Curadoria Isabel Villalba e Alexandra Ungern-Sternberg | 2016

QG: Anônimos


Luiz83 | Erick Martinelli | Luiz Martins | 2016

Curadoria Isabel Villalba e Alexandra Ungern-Sternberg | 2016

...”hoje, tudo existe para terminar numa foto”,... Susan Sontag.

 

QG: Anônimos, foca em uma exposição experimental, direcionada para o desdobramento de trabalhos artísticos ainda em processo, oferecendo o espaço expositivo como laboratório para apresentação da pesquisa de cada artista. Não se tratam, portanto,  de obras totalmente finalizadas, porém, de um caminho possível para sua existência no mundo.

Luiz Martins, Luiz83 e Erick Martinelli possuem em comum o foco experimental com a fotografia, que apresenta-se para eles como um meio de expressão recente na suas pesquisas poéticas.

Isto não é o paraiso


Rosa Barreiros

Curadoria Isabel Villalba e Alexandra Ungern-Sternberg | 2015

 

Isto não é o paraiso


Rosa Barreiros

Curadoria Isabel Villalba e Alexandra Ungern-Sternberg | 2015

 

 Oculos, 2013

Oculos, 2013

As obras apresentadas neste singular recorte da produção de Rosa Barreiros, nos convidam a um percurso imaginário,  com certa dose de humor onde pinturas e desenhos de pessoas,  animais ou seres fantásticos, oníricos, instigam perguntas e despertam o interesse daqueles que os observam.

Poses improváveis, gestos cômicos e olhares vesgos e curiosos, por vezes irônicos revelam quase uma falsa ingenuidade destes personagens. Partindo de desencontrossociais,  consumismo e o caos político, econômico e social em que vivemos,  Rosa parece capturar aquilo que a inquieta no que ouve, vê ou presencia com gestos amplos, rápidos e urgentes, sem soluções ou intenções ideológicas.

No vídeo Rosa procura uma nova vertente onde convoca o espectador à ação, explorando, pelo movimento, um novo viés desse olhar inquietante.  O que está implícito de maneira sutil em suas pinturas, agora ganha uma nova dimensão propondo um percurso onde os participantes caminham cegos com uma sacola de papel na cabeça,  sem destino certo, acompanhados uns dos outros, porém solitários, neste breve percurso.

A artista nos oferece uma visão crítica de nosso presente, obstruindo a subjetividade e transformando o participante (casual ou não) em objeto “consumista-consumido”. Nos vemos flagrados em nosso pequeno mundo, ingênuos e cegos ao que vemos e confiantes nos cegos que nos guiam.

  Máscaras, 2013

 Máscaras, 2013

BE HERE NOW


Joan Grubin | Marietta Hoferer | Michael Kukla | Fábio Leão | Ilene Sunshine | Alexandra Ungern-Sternberg | Andrey Zignnatto | 2015

BE HERE NOW


Joan Grubin | Marietta Hoferer | Michael Kukla | Fábio Leão | Ilene Sunshine | Alexandra Ungern-Sternberg | Andrey Zignnatto | 2015

 Andrey Zignatto, Esfera-Estrutura e ao fundo Michael Kukla, Dark Cloud

Andrey Zignatto, Esfera-Estrutura e ao fundo Michael Kukla, Dark Cloud

Be Here Now / Aqui e Agora é um projeto curatorial desenvolvido em colaboração com quatro artistas de Nova York. Baseado em uma série de exposições com seus trabalhos e de outros artistas, o projeto oferece um antídoto sutil para um ambiente cada vez mais saturado pela mídia.

Após a sua exposição inaugural em Nova York em novembro de 2014, agora estes artistas juntam forças com três artistas de São Paulo para criar uma nova interação no espaço expositivo Ateliê Alê. Empregando materiais simples, os trabalhos convidam a uma consciência da fisicalidade do presente momento. Neste caso, a arte nascida de investigações individuais com a matéria, independe da linguagem e da teoria.Ostensivamente minimalista e aparentemente simples, a exposição apresentada no Ateliê Alê convida a uma sensação enigmática, um olhar concentrado através de uma moderação de recursos. Na instalação de Joan Grubin, Coastal Vibrations, pedaços de papel criam uma energia óptica hipnótica atravez de tramas, que se sobressaem da superfície do suporte. Composto por fita adesiva sobre papel, S-Series de Marietta Hoferer, absorve e reflete a luz em uma infinidade de formas geométricas que parecem em constante movimento dependendo do ponto de vista do espectador. Michael Kukla emprega fita gaffer preta (fita adesiva de borracha) criando um efeito ilusório em sua instalação escultórica Dark Cloud, uma massa orgânica ondulante que parece expandir-se diante dos olhos. A impressão arquitetônica feita por Fábio Leão em Reconfiguração de Espaços Específicos 5 (MacDowell Colony), é gerada a partir de decalques de superfícies da arquitetura original, posicionadas diretamente na parede, dando origem a um efeito gráfico surpreendente na entrada do espaco. Em Suite for SP, Ilene Sunshine trabalha com papel artesanal, transformando lixo plástico em relíquias ocultas em que cada objeto flutua em um quadro de estencil de folhas de mamão. O vídeo de Alexandra Ungern-Sternberg, Die Fliege [A Mosca] se concentra em um único momento na vida de uma mosca comum, deslocando o olhar do espectador empaticamente a uma escala microscópica. E Andrey Zignnatto esculpe um desenho no espaço com esqueletos de guarda-chuvas desprovidos de tecido em sua obra Esfera-Estrutura.

Be Here Now atribui seu título ao livro, Remember: Be Here Now (Esteja Aqui Agora) de Ram Dass (1971), influente psicólogo americano e mentor espiritual cujo texto tornou-se ícone cultural nos EUA durante as sísmicas convulsões sociais e políticas que surgiram nos anos 1960 e 70.

Michael Kukla, Dark Cloud

Joan Grubin, Coastal Vibrations

Esta exposição é uma afirmação da proposta de Ram Dass através da quietude e foco pessoal interno. Mais de 40 anos após a publicação do seu influente manual, quando o nosso conhecimento é cada vez mais mediado pelas telas digitais, Be Here Now é um convite para desacelerar e realmente entrar em si mesmo. Um lembrete, embora a tecnologia seja uma ferramenta vital, não é substituto para estar aqui, agora.

Sobre o que existe ao redor


Alexandra Ungern-Sternberg | Fabio Leão | Lourenço Di Gambá | Renata Huber | Rosa Barreiros

Curadoria Isabel Villalba | 2014

Sobre o que existe ao redor


Alexandra Ungern-Sternberg | Fabio Leão | Lourenço Di Gambá | Renata Huber | Rosa Barreiros

Curadoria Isabel Villalba | 2014

O mundo contemporâneo se move às pressas.

A tecnologia em constante desenvolvimento exerce uma certa fascinação sobre as pessoas, como se a existência das coisas dependesse de um “click” ou de um “touch” sobre telas de celulares, tablets ou notebooks. A busca pelo novo é constante, sem pausa. A velocidade do devir cotidiano nos faz passar fugazmente por sensações, emoções e pelos objetos que nos cercam dando a eles um caráter banal. É sobre as questões da banalidade e a fugacidade do cotidiano que os artistas desta exposiçãose debruçam, com um olhar critico sobre o consumo, a observação dos seres vivos ou mortos, a possibilidade de ser ou não ser.

Deslocar um desenho, propor uma nova representação dos objetos e também lidar com a complexidade de um poema visual.

 Os trabalhos aqui apresentados propõem uma reflexão, uma flexibilização do olhar de modo a  carregá-lo de outros e diversos sentidos, utilizando as diversas linguagens da arte: pintura, fotografia, escultura, monotipia, vídeo, grafite, instalações. Decompor para compor, reordenar as partes visíveis ou despercebidas; é nesse mistério do que existe ao redor que a proposta da mostra se desenvolve.

Isabel Villalba

 
 

O saber da linha


Alexandra Ungern-Sternberg | Andrey Zignnatto | Camilo Meneghetti | Evandro Soares | Fábio Leão | Fernanda Carvalho | Jê Américo | Marcelo Amorim | Pedro Gallego | Tchelo

Curadoria Paulo Gallina | 2014

O saber da linha


Alexandra Ungern-Sternberg | Andrey Zignnatto | Camilo Meneghetti | Evandro Soares | Fábio Leão | Fernanda Carvalho | Jê Américo | Marcelo Amorim | Pedro Gallego | Tchelo

Curadoria Paulo Gallina | 2014

Marcelo Amorin

Uma linha pode ser muitas coisas. Para a matemática, ela será um conjunto infinito de pontos; para a geometria, o perímetro de uma curva de raio infinito; em um texto pode ser a formalização do argumento; enquanto para o desenho esse elemento de representação seria a estrutura das formas.  Verdade é que uma linha é desprovida de propósito ou prerrogativa antes de existir.

Ausente em sentido por si, ela pode comunicar grande parte do pensamento humano. Ainda que é preciso considerar os limites da linguagem. O saber da linha é a reunião de trabalhos que buscam comunicar sobre o que a linguagem não acessa. Ao buscar a representação do universo sensível, estes artistas desconstruíram com suas obras os significados impostos ao que entendemos como linha. Assim a expectativa do olhar é invertida nesta exposição.

Os traços aqui não são pautas ou bordas, são composições representando um universo interior. Universo este que só se torna comunicável para o observador, por este também conte-lo dentro de si.

Depois de esvaziado o signo, depois de a linha ser retirada do campo da representação, as pesquisas aqui apresentadas recriaram o mundo ao redor a partir de seu universo sensível interior de cada artista. Partindo de uma linha, agora não mais parte de um vocabulário cultural, esses artistas reconstruíram e reapresentaram seu mundo interior e incomunicável em suas imagens. Dotanda de significado a partir de seu uso, a linha guarda em si uma sabedoria esquecida no mundo contemporâneo: aquilo que está além do que pode ser comunicado por palavras ou imagens, pode ser insinuado a partir do elemento mais primitivo humano e compreendido porque todos carregamos dentro de si um mesmo universo sensível.

Paulo Gallina

 

 

 

Aproximações, distanciamentos


Exposição no Ateliê Alê com os artistas Fabiola Chiminazzo, Farago, Luiz 83, Tchelo, Victor Leguy | 2013

Aproximações, distanciamentos


Exposição no Ateliê Alê com os artistas Fabiola Chiminazzo, Farago, Luiz 83, Tchelo, Victor Leguy | 2013

 

A existência de aproximações entre caminhos artísticos sempre foi assunto recorrente. Até porque foram essas confluências que, sem dúvida, possibilitaram o afloramento e a consequente articulação de temas específicos detectados por curadores e artistas, agrupados em círculos de pensamento cada vez mais bem definidos no contexto recente da arte contemporânea brasileira.