‘’(...)” hoje, tudo existe para terminar numa foto ‘’(...)” Susan Sontag.

O novo projeto do LAB570, QG: Anônimos, foca em uma exposição experimental, direcionada para o desdobramento de trabalhos artísticos ainda em processo, oferecendo o espaço expositivo como laboratório para apresentação da pesquisa de cada artista. Não se trata portanto,  de obras totalmente finalizadas, porém,  de um caminho possível para sua existência no mundo.
Luiz Martins, Luiz83 e Erick Martinelli possuem em comum o foco experimental com afotografia, que apresenta-se para eles como um meio de expressão recentena suas pesquisas poéticas.
A Fotografia como pretexto na elaboração de narrativas as vezes lineares, outras labirínticas.  Registram os ambientes e seus objetos,  documentam o cotidianoou   atuam como voyeurs do acontecer urbano. Assim, fazem um recorte do mundo-imagem e constroem um imaginário singular que pode ser um ponto de partida para ativar outros imaginários.

Sua percepção pulsa de umatal maneiraquenão podem deixar de fazê-lo.: olho-braço-câmera. Os dispositivos utilizados são o celular e a máquina fotográfica.

Luiz83, artista, trabalha também como montador de exposições de arte, onde registra os bastidores das montagens, seja num museu,  galeria, ateliê ou na casa de um colecionador. Estar entre obras de arte e formar parte do processo de montagem exerce sobre ele um fascínio que o leva a capturar esses momentos, congelá-los, numaespécie de apropriação dos objetos que utiliza no trabalho, através da câmera. Momentos compartilhados com outros colegas no anonimato da montagem, fazem dessa vivência uma experiência única, divertida e lúdica.

A fotografia de Luiz83 realizada com a câmera do celular, ao modo da Polaroid, permite-lhe um registro veloz, sem encenação e sem manipulação posterior da imagem além do que já está “encenadoespontaneamente’’ no ambiente escolhido para uma mostra.

Erick Martinelli, artista caminhante na cidade, ilumina com sua câmera o acontecer urbano e as ações dos cidadãos, aqueles que transitam quase invisíveis no dia a dia na grande urbe. Ele registra e acompanha o percurso de alguns desses habitantes; ouveo que eles têm a dizer sem julgamentos; sensibiliza-se e estabelece diálogos que resgatam a singularidade do fotografado.

 Aarquitetura da cidade em permanente mutação, é um interesse muito especial de Erick, que faz uma notação dessas mudanças como um intuito de preservação: gesto poético-político.
Sua fotografia em preto e branco remete às origens da fotografia e permite sem a distração das cores, olhar diretamente a cena.

Luiz Martins com suas fotografias–texto-desenho propõe umasubversãoda imagem fotográfica. Já não se trata de um recorte do real, mas de uma outra composição. Muitas e variadas possibilidades de leitura acompanham esse processo. O artista propõe uma espécie de jogo ao seu espectador. Ele o desloca da contemplação passiva para um espaço-tempo onde se abrem as oportunidades para quecada um possa construir sua própria fotografia imaginária.

Assistência curatorial: Isabel Villalba e Alexandra Ungern-Sternberg